Brincando de Viver

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Terça-feira, Julho 31, 2007
 
Pausa para não pensar e sentir o momento. Ok então! Qual o rumo, quando não há comandante? Plantar o improdutivo, certamente que não irá produzir boa colheita.

Metafórico por demais estas linhas. É que de uns dias para cá, infelizmente andei visualizando muito rato morto em meu sagrado sono noturno. Daí parei, e senti que a Liza e a sua criadora, ou seja esta aqui em carne e osso, precisava conversar mais com a vida e deixar os ratos fétidos para lá.

Semana passada, passei alguns momentos assistindo ao Pan 2007 e o que eu mais buscava era a expressão de prazer puro, alegria incontida, mesmo que fosse por miléssimos de segundos. A orientação já sei que é para buscar este prazer em mim. Tudo bem. É só uma questão de tempo. Pode parecer irracional, milimetricamente calculado, pode ser, e daí?

Hoje não foi uma metáfora, só estou tentando sentir e não refletir sobre as moedas que estava desenterrando, talvez houvesse cinzas, e haviam tres moedas.

Moedas, nunca vi nenhuma de uma só face. O lado cinzento ofusca a quantidade... Enfim só tive a certeza de que valores desenterrados em mim mesma, não há fogo que consuma ou cinzas que finde.




LIZA GONÇALVES - 9:49 PM Comente aqui:


Quinta-feira, Julho 26, 2007

Domingo, Julho 22, 2007
 


A violência no trânsito e nas estradas brasileiras matam por dia, tanto quanto os "boings" destas duas companhias aéreas que cresceram numa fórmula geometricamente materializada e não emocionalmente calculada.

Estradas mal tratadas e cuidadas por quem "extorque" do contribuinte para isto, relega às vezes à iniciativa privada para cobrar legalmente pedágios de quem precisa literalmente caminhar, pois voar tornou-se altamente operação de risco. Licitações "supostamente" ( só quem precisa ver, não enxerga isto) hiperfaturadas tapa qualquer buraco indo ranhuras abaixo, quando não escorregando água abaixo.

A tragicômica crise é de infra estrutura e não monetária ( ainda) ! A educação, não somente aquela que gruda o traseiro do aluno no banco da escola, perde verba até para os nossos orgulhosos medalhistas panamericanos. A verdadeira educação que poderia ao menos, formar indivíduos éticos e responsáveis não terá nunca neste país, de corrupção explícita em todos os seus limítrofes, voz ativa! Não tenho profissão de vidente para visualizar o caminho tomado.

Entre tantas coisas que nos deixam na indignação plena, algo que paira no ar como a imagem acima, quem está nas mãos de quem?



Ir além das curvas no caminho, além das emoções que o momento propicia ou inflama, parece ter se tornado uma jornada solitária neste país.

LIZA GONÇALVES - 8:21 PM Comente aqui:

Quarta-feira, Julho 18, 2007
 


De que lado estão as grades? De quem fica ou que para quem está do lado oposto?

Talvez algumas almas agora, inflamam a liberdade serena, sem ter a change de reviver a fênix imortal do imaginário.

Queria uma imagem que retratasse nomes sem rostos. Pois para muitos que se aturdiram diante a uma tragédia mais que
anunciada, uma lista de nomes sem rostos. E para os desafortunados, o vazio horrendo do momento de dor e eterna saudade.

Ouço pela tv, a conclamação de apuração da culpa!

A sensação que se tem que é melhor viver no círco das vicitudes onde há uma hierarquia de culpa e nenhum culpado.
E se for para culpar os oprimidos, melhor o silêncio ou seguir o conselho do relaxamento diante o descaso.

"Brasil mostra a tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim"!

Não é a elevação da culpa ao lugar mais alto do pódio que precisamos para superar nossas fraquezas, anseios, desejos.
Não quero escrever nada mais, pois neste momento há pessoas que choram suas perdas numa tragédia nacional e em tragédias pessoais.

Muito além das nossas imprensões pessoais, egoístas que sejam, cada nome sem rosto poderia ter a sua/nossa fotografia.




LIZA GONÇALVES - 7:30 PM Comente aqui:

Domingo, Julho 08, 2007
 


Durante uma breve caminhada, ouço os grilos cantando. Final de tarde.

Não sei porque, mas ouvi-los ao cair da tarde me traz uma sensação de tristeza. Daí pensei comigo mesma, mas porque você acha os entardeceres tristes?

Lembrei-me de uma cena que vi enquanto esperava algo. Um menino em sua bicicleta, lágrimas nos olhos a chamar o pai dentro do bar. Ao que pude perceber, o motivo do choro: a mãe estava tirando as coisas de casa e mudando-se.

Após o menino se retirar, o pai demorou a sair do bar e ir embora. Não sei o desenlanche para as lágrimas do garoto.

A vida é isto aí. Fiquei refletindo, se aquele garoto algum dia iria entender que nem tudo que se quebra é ruim ou motivo para um choro tão doído.


Hoje bateu uma saudade danada. Pausa e ao acordar,era sonho!

Pior é a sensação que fica, pois deixa um grande espaço e não tem mais aquilo que o sonho tinha. Aconchego.
Ultimamente sempre ronda-me uma frase, um ditado para ser mais exata. "Cuidado com seus sonhos, pois eles podem se tornar realidade!"



LIZA GONÇALVES - 6:57 PM Comente aqui:

Segunda-feira, Julho 02, 2007
 

Não sei se é sintomático, mas sabe quando:

- Acabou de pagar sua compra no caixa e quando já deu vários passos alguém te alcança e te chama de volta por que você deixou o que comprou para trás?

- Ao acordar pela manhã, liga numa estação de rádio de sua preferência, em determinado momento pensa numa música, num artista que te faz lembrar alguém e daí toca músicas deste mesmo artista? [... Amigo é coisa pra se guardar...]

- Parece que ao caminhar, andar por lugares falta sintonia com o mundo?

- De um trajeto a outro, são músicas e mais músicas que tem letras de uma riqueza sem igual e cada uma delas poderia ser uma espécie de música tema? Não só temas para um só momento de sua vida, mas vários e de diferentes formas?

- Num sábado a noite ao chegar em casa, olha para cima e sente-se ao meio ao crepúsculo. Nada há entre você e uma faixa estreita de noite, entre o céu e uma lua prateada?

Entre tantas coisas, o bom de tudo isto tem sido aprender a apreciar a vida por este ângulo sem culpas, sem pressa e principalmente sem urgência em ter respostas.

Ouvindo

Yanni
Josh Groban
Um pouco de Chico, Milton, Gil e por aí afora.


LIZA GONÇALVES - 7:50 PM Comente aqui:

Domingo, Julho 01, 2007
 

Notícia como mercadoria
Jornal Estado de Minas - 01/07/2007
Por: Affonso Romano de Santanna


De repente, surgiu na minha cabeça esta expressão: “Notícia como mercadoria”. Achei-a intrigante e a repeti como a digeri: “Notícia como mercadoria!”, mas, agora, com espanto, vejam o sinal de exclamação no fim da frase. O que essa sentença estaria querendo me dizer? Como surgiu? De onde veio, se, aparentemente, não a estava procurando? já que estava silvestremente andando em meio às árvores de minha casa de campo.


De pronto, localizei sua origem e assim ficou mais nítido pensar no seu significado. Eu havia terminado a leitura de vários jornais e revistas (sobretudo do Rio e São Paulo). Havia lido uma reportagem sobre a nova biografia da falecida princesa Diana, na qual se analisa como ela não era tão ingênua nem santa, teve um punhado de amantes mesmo casada e sabia manipular a mídia. Ou pior, estabeleceu-se a partir dela e com ela, um jogo perigoso; ela manipulava a mídia, que, por sua vez, a manipulava. Deu no que deu.

Havia lido também matérias sobre o mercado de arte, onde cinicamente críticos e curadores confessam participar desse jogo duplo se espostejando acriticamente na roleta do mercado. Havia lido sobre essas modelos que cobram para ir a festas; sobre esses casais de BBB que têm contrato comercial para ficarem juntos. Também li a notícia de que aquela milionária Paris Hilton – uma irresponsável (mas esperta) que, após ser condenada por dirigir embriagada e tendo com isso aumentado sua cotação no mercado de notícias, cobrou US$ 1 milhão para dar entrevista na televisão e ainda foi convidada para trabalhar lá regularmente.

Enfim, essa Hilton, como Diana, entendeu que ela é a notícia e que a notícia tem preço. Com isso, os meios de comunicação em todo o mundo se dispuseram a expor e a vender essa mercadoria, que também rende em termos de audiência. E, perpassando os olhos criticamente pelas várias seções dos jornais, uma coisa terrível se me afigurou, e já não se sabia a diferença entre os anúncios expressamente tidos como anúncios e esse outro produto difuso e perverso cultivado pela cultura chamada pós-moderna; e algo começou a se elaborar no meu inconsciente até que surgisse aquela frase reveladora e arrepiante: “Notícia como mercadoria”.

Abro um parêntese e lembro que houve um tempo em que certas sessões nos jornais eram “serviço” desinteressado. O colunista citava pessoas e indicava lugares e produtos sem cobrar e receber. Estava orientando gratuitamente os leitores. Hoje, pode-se contar nos dedos as colunas não-manipuladas. Ainda não éramos essa sociedade das aparências, da pressa, da velocidade, na qual a irresponsabilidade ética se acoplaria à irresponsabilidade estética. Por isso, se me permitem, proponho um novo par a ser desencravado para análise da ideologia de nossa época, em que houve uma perturbadora inversão. Daquilo que era a eventual “irresponsabilidade ética”, passamos a cultuar a “ética da irresponsabilidade”, louvando e endossando os piores personagens das novelas e dos noticiários, e, onde antigamente se denunciava a eventual “irresponsabilidade estética” de alguns, passou-se a oficializar e a louvar a “estética da irresponsabilidade”, que acabou dando num tipo de arte em que a idéia de valor é renegada. Acredito que nessa inversão está a chave do enigma de nosso tempo.

Fecho o parêntese e retomo o que disse no princípio: os personagens na mídia são mercadoria. Não só as modelos, os jogadores, mas também os artistas, a própria literatura – veja-se a Flip, lá em Parati – é uma mercadoria. E as coisas vão se ampliando: os escândalos diários e/ou semanais que jornais e revistas estampam são mercadoria. Não sei se somos mais corruptos hoje que ontem, mas antes o escândalo era, sobretudo, um fato moral e ético, não havia recebido a etiqueta de mercadoria.
O escândalo como mercadoria não havia sido oficializado. Hoje necessitamos de um escândalo por semana (ou por dia?). Como se alguém gritasse para alguém no almoxarifado: “Como anda o estoque de escândalos? Veja lá, renove os pedidos, não podemos deixar o público na mão”. A imprensa está sedenta, faminta, ela se alimenta de sua própria fome. E, como o público, para se proteger, vai ficando insensível, então surge um fenômeno novo, o meta escândalo, o escândalo de que já não nos escandalizamos mais com os escândalos.



LIZA GONÇALVES - 12:26 PM Comente aqui: